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Sobrenome Âncora

Atualizado: 5 de jun. de 2021

Conheça aqui a história e o relato de Jorge Carneiro, parte da Companhia desde sempre.



Jorge Carneiro em O remorso de Judas

Jorge é figura presente na trama d’Os Passos da Agonia’ desde os primórdios, com Raimundo Natalino, com quem integra história e construção muito ricas, através da interpretação de diversos personagens.

A oportunidade lhe bateu à porta com a transferência do então diretor para Anchieta, Espírito Santo. Eles, santa-barbarenses, seguiram seu trabalho, não sem algumas divergências, que conseguiram driblar.

Junto ao Wilson de Paula, um dos fundadores da COENBI – Comissão de Encenações Bíblicas, desenvolveram direção e coordenação, mas despertaram para uma ânsia de profissionalização, para melhorar um espetáculo que já se inseria no calendário turístico do município, Santa Bárbara – MG, muito aplaudido e reconhecido localmente.



Jorge Carneiro como soldado romano, Arquivo Histórico

Até então, a COENBI só fazia montagens religiosas, mas com os novos condutores à direção da equipe, começaram a vislumbrar a realização de espetáculos laicos. Com isto (e por isto) pensaram em mudar de nome e a ideia que ficou neste período foi ACEGRAM Artes Cênicas Gramofone.

O público começou então, a ver o lado dramatúrgico além do religioso, o perfil inteiro do grupo, que não fazia, afinal, somente encenações bíblicas.

O ator que fazia Jesus Cristo neste período, o ‘Cacai, Antônio Carlos Rodrigues Lages’, conhecia o Fernando Limoeiro, conhecido e reconhecido diretor de teatro. O convite veio, ele aceitou e desenvolveu, a princípio, com o grupo, uma oficina.

O grupo seguiu, inicialmente, estrada bem escassa de recursos. Os apoios efetivos eram raros e cabia a todos a busca por alternativas para cobrir a profissionalização que buscavam e despontava no horizonte!

Este relato visa somente dar uma dimensão da integração da equipe, juntos em cada etapa, da construção à realização.

A partir do Fernando Limoeiro, de acordo ao Jorge, começou uma ‘revolução do trabalho do Âncora’, que teve continuidade com o Diretor Ênio Reis, aprimorando o lado da produção e abolindo o abrir e fechar de cortinas, por exemplo: “jogo aberto, sem cortinas, fazendo das engrenagens, parte do espetáculo!”

Textos novos, com sua participação, junto a outros integrantes do grupo, marcaram uma mudança muito forte e positiva e sua atuação foi particularmente benéfica para os jovens e crianças do elenco, com quem ele sentava-se delegando trabalhos e responsabilidade. Várias crianças cresceram com o grupo, que é família, como já ficou claro aqui.


Jorge Carneiro como Judas, 2015 na cena da Santa Ceia

Nas comemorações do tricentenário de Santa Bárbara, em 2004, o Dr. José Anchieta da Silva, renomado filho de Santa Bárbara, oportunizou a representação da história da cidade, contratando um diretor de BH, Ênio, que já era conhecido pela equipe e então produziu a peça/diálogo – Santa Bárbara conta sua História – que foi REcontada em várias cidades que têm alguma ligação com o município.

Nos conta Jorge, enriquecendo esta história que nos significa tanto: “E o Ênio, todo este período que está lá, assumiu o espetáculo, comprando a História do Âncora Cia de Teatro’. Trilhas novas, atores de BH para fazer o Cristo, a construção de um vínculo, ano a ano, com a campanha da fraternidade, etc. Trouxe, assim, mais valorização ao trabalho.

Agradece a oportunidade de fazer vários personagens e julga Judas Iscariotes como o que mais o marcou e também ficou marcado para a cidade. A importância do Âncora, segundo ele, está na boca das pessoas. Ouve-se sempre o respeito, o carinho, e público sempre foi fiel a este trabalho.

Ele, Jorge, embora esteja há 4 anos afastado do trabalho, nunca se considerou de fora. Se considera parte, faz parte desta história e se considera Âncora.

Trazendo, novamente, suas palavras, de algo que é consenso entre todos que conhecem o grupo, sua história e seu ‘produto’, feito obra de arte local, patrimônio cultural da cidade! “O espetáculo hoje tem um papel muito importante na cidade. O elenco, muito responsável e dedicado tem grande amor pelo que faz, em prol do turismo e cultura de sua cidade. Todos os personagens desta história merecem valorização, desde o cara que cuida dos objetos de cena até o protagonista.” E ele bate palmas!


Colocando riso ao invés de ponto, ao final, o Jorge traz duas boas histórias desta encenação quase cinquentenária:

1 – Nesta encenação, usava-se na maquiagem um produto chamado ‘rinsagem’ para dar uma coloração esbranquiçada ao cabelo e assim envelhecer o personagem.

Um dia o ator/cidadão que fazia papel de apóstolo chegou atrasado e vendo todos de cabelos branco e penteados, com as cenas prestes a começar, correu em um bar, o bar do ‘seu Niquinho’ e comprou uma latinha de luminol e passou no cabelo. Conta a lenda que ele ficou mais de um mês de cabelos brancos, porque a tinta, ao contrário da rinsagem, não sai.


2- Um personagem que durante algum tempo fez o papel de ‘carrasco’ teve uma pequena desavença com quem fazia o Cristo. Dizem as ‘más línguas’ que ele aproveitou na caminhada quando os carrascos chicoteavam o Cristo, batendo na cruz ou próximo a ela, ele tenha aproveitado e batido nele, deixando um vergão bem comprido. Mas ele acredita que seja lenda.


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