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ÂNCORA CIA DE TEATRO OFICIAL
SANTA BÁRBARA MG

Envolvendo a  população de toda a  região, Companhia de Teatro tem peça feita Patrimônio Imaterial do Município

Eles têm história para contar. E contam, efetiva e cotidianamente, mas têm muitas outras, visto que somam 46 anos juntos. E atuando. 

Traduzindo, falamos aqui do Grupo Âncora, Cia de Teatro, que atua no cenário artístico de Santa Bárbara, fundado por integrantes das extintas COENBI (Comissão de Encenações Bíblicas) e da ACEGRAM (Artes Cênicas Gramofone).

Entre as diversos espetáculos produzidos e encenados por eles, ‘Os passos da Agonia’ ou a encenação da Semana Santa ao VIVO é um dos mais conhecidos, atraindo grande público durante a semana sagrada para os cristão, reconhecido Patrimônio Imaterial da cidade de Santa Bárbara.

Eles não começaram Âncora. Navegaram por outras nomeações, com a mesma formação e motivação e são hoje como uma grande família. Começaram em 1975, com Raimundo Natalino, parte da equipe da Matriz de Santo Antônio, propondo a montagem de uma comissão para encenações bíblicas. 

Com cerca de 45 integrantes inicialmente, entre atores, técnicos e profissionais do teatro, com filhos, sobrinhos e outros graus de parentesco, foram crescendo e chegando à variância atual – entre 100 e 120 integrantes, de todas as faixas etárias e classes sociais.

Gente que se reúne uma vez por ano para manter significativa e emocionante produção feita tradição, envolvendo de 12.000 a 15.000 pessoas por ano, no que se tornou a maior representação da Semana Santa ao VIVO em Minas. 

Primeiros passos

Este espetáculo, ‘Os Passos da Agonia’, sua vitrine principal, começou com o grupo encontrando seu atual diretor, então referência, para o que era ainda um projeto. 

Ênio Reis, atual diretor, produtor e integrante do grupo não esteve sempre lá. Cidadão Belorizontino, recebeu recado de um grupo de uma cidade chamada Santa Bárbara, procurando-o para dirigí-los.

Ele foi conhecer a cidade, o grupo e saber da proposta. E se encantou. 

Aceitou e assinou contrato em 2004, como diretor, mas seu alinhamento à proposta do grupo, o fez membro também, ajudando na produção, nas articulações para a sua realização periódica e prestando ainda consultoria durante o ano, que refletisse sempre no resultado -  a qualidade encenada no palco. E o faz!

A direção de um teatro religioso marca o grupo pela interação com o público, feita através de manifestações muito espontâneas da população na comunidade, voltada para este tipo de linguagem e manifestação artística.

Patrimônio

Esta encenação, feita tradição local, tem forte papel na consolidação da região como Polo de Teatro Histórico e Religioso, iniciativa da Ênio Reis Produções Artísticas e Culturais. O espetáculo está em região turística e cultural, onde se destaca o envolvimento da população com as encenações da semana santa e com outras expressões de artes cênicas  presentes em festas tradicionais que unem religiosidade e história mineira. Engloba Barão de Cocais, Caeté, Catas Altas e Santa Bárbara. 

Reconhecido Bem Imaterial registrado pelo Patrimônio Cultural de Santa Bárbara sob Decreto Municipal número 2.330, de 2012 integra há 45 anos calendário cultural do município, durante o período da Semana Santa.

O espetáculo, patrimônio imaterial do município, é apresentado em três capítulos, sendo eles: Vida (Prólogo, sermão da montanha, Jesus e Maria, Judas e Madalena, Anás, Caifás, Jacó e Judas, e remorso de Judas); Morte (santa ceia, horto das oliveiras, Jesus perante Pilatos e caminhada e crucificação); e, por fim, a Ressurreição.

Mostra

Em função da pandemia do coronavírus, o isolamento e todas as restrições consequentes e necessárias, o Âncora se viu impedido de celebrar seus 45 anos, completados no ano passado, já que as apresentações foram canceladas.

 Isto será corrigido com a realização virtual de uma mostra comemorativa das realizações do grupo, projeto aprovado e financiado via Lei Aldir Bland. Além do registro histórico, esta ação visa a manutenção do Bem Imaterial “Os Passos da Agonia”. 

Formado por dedicados voluntários, seu elenco se viu frustrado pelo impedimento de comemorar seus 45 anos de história. Os profissionais envolvidos foram surpreendidos com o cancelamento de seus contratos depois de três meses de trabalho realizado. 

Publicações e eventos em redes sociais, produção de vídeos contando a história do grupo e exposição presencial, esta Mostra é também uma forma de celebrar, registrar e difundir seu patrimônio cultural, no próximo 03 de Maio, já, então, com 46 anos.

Além desta mostra, com vídeo memória, o grupo trabalha projeto de encenação d’Os Passos da Agonia, gravado. Diante da situação que vivemos, o espetáculo será adaptado para vídeo, ao vivo, em locações ao ar livre, com blocos de cena, diante da impossibilidade de cumprir todo o roteiro. Mas aqui também, ainda não aconteceu em função dos protocolos da onda roxa.

A gravação deste espetáculo acontece em vídeo AO VIVO, em função das restrições da pandemia e a gravação do vídeo segue em modo de espera, aguardando flexibilização da onda roxa

Além desta Semana Santa ao vivo, com Os Passos da Agonia, o Âncora realizou alguns outros espetáculos ao longo de sua existência. Antes de Ênio, orquestrava este significativo trabalho dramático, Fernando Limoeiro, grande diretor e professor de Belo Horizonte, tendo seguido com o grupo por 06 anos. 

Até 2002 ficou com Limoeiro, em 2003, outro diretor profissional de BH e em 2004, chega o atual, Ênio Reis. Esta busca por direções profissionais explica a profissionalização da produção e seu aprimoramento técnico.



 

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